| Hochzeit - Comunidade Global - Eugénia Rufino |
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Sexta-feira, 02 Setembro 2011, 12:00
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“istórias”
(resumidas e sensíveis)
por Luís Menezes*
Esta exposição de Eugénia Rufino estrutura se a partir de apontamentos do quotidiano tão triviais quanto comuns no nosso percurso individual e colectivo que não se contém numa fronteira de identidade nacional ou diferenciação humana. É a captação de instantes narrativos que como afirma “(...Visa uma pequena reflexão sobre “rituais” que são comuns ao individuo enquanto membro da comunidade independentemente do seu país de origem e que tem como ponto de partida imagens fotográficas dessas memórias(...)
Recorrendo ao titulo Hochzeit, termo de origem alemã que significa casamento e que a autora traduz livremente para Momento Alto, esta mostra desenha-se a partir de uma sequência de poses figurativas nos momentos mais plausíveis da nossa existência que configuram um percurso temporal desde a infância à maturidade e que nos arrasta para a introspecção pessoal de memórias e emoções.
Não lhe interessa o recorte preciso porque mais do que isso o importante é a atitude tanto como o instante, que projecta vivências de um quotidiano de experiências únicas mas, universais, que como ela própria nos diz pretende exprimir” (...) exactamente a essência do sentimento aqui abordado e que nos faz simultaneamente tão individuais e colectivos: Enfim, o que nos faz ser tão humanos... “(...)
Eugénia Rufino dá-nos aqui a mão para uma viagem no tempo perdido e por ela encontrado com composições evocativas de momentos circunstanciais que revelam um generoso empenhamento por valores individuais e colectivos de partilha de convivência.
Recorrendo especialmente ao figurativo, o espaço não é o foco essencial da atenção da pintora, embora não seja a abstracção da realidade. O crucial é a evidência do momento obtido através da gestualidade das figuras, onde os endereços e objectos reforçam a circunstância. Por outras palavras, o pincel de Eugénia Rufino conta-nos “istórias” que partilhamos onde o importante é o momento.
De resto, a beleza humana está ausente desta pintura. As figuras humanas são tratadas de forma sucinta e as cores com maior ou menor carga expressiva nunca são intensas ou de violentos contrastes, antes pelo contrário, emergem na tela de forma contida à medida da carga emocional plausível da memória de um tempo sem retorno. Do mesmo modo, a pincelada a óleo é delicada e a suavidade das cores é recortada só quando necessário por tons escuros para projectar as sombras e nos indicar a direcção da luz, gerando atmosferas que remontam a um mundo cândido. A obra simplificada de Eugénia Rufino, retém por si só um valor formal capaz de no imediato absorver a nossa atenção, onde o “godé” de cores suaves e o equilíbrio gráfico recupera para a tela reminiscências no âmbito de um certo expressionismo lírico. Neste conjunto de obras, a autora presta se a um diálogo plástico com o recôndito do seu intimo, revelando uma apurada sensibilidade vivencial, grávida de uma carga emocional conservada pela sua inteligência artística.
Esta pintura tem poesia no feminino, porque tem o encanto do sensível numa composição resumida.
*Director do Museu da Horta |
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