Diz-se vulgarmente que “Um Homem é o que faz”.
Porém, a artista acredita que tudo é mais vasto e mais complexo e que “Um Homem também é o que sente”.
Nem só de ações se vive, de ações que até podem ser falsas, oportunistas ou desprovidas de sentido e significado. Obviamente que as ações contam e muito, principalmente para terceiros. Mas o que mais conta para cada indivíduo é exatamente o que ele próprio sente, o que ele próprio pensa.
Os atos de sentir e de pensar são solitários, completamente pessoais, intransmissíveis e às vezes “nem às paredes se confessam”. São atos que alcançam maior profundidade nos instantes que intermediam as ditas ações. E é, sobretudo, sobre esses “entretantos”, que a pintora mais se debruça.
Sara Vieira gosta de pintar esses momentos essenciais mas tão abstratos, por vezes metaforizando-os. De lhes conferir uma imagem. De colorir estados de espírito, pensamentos mais profundos ou mais banais…
Encontra poesia nesses tantos segundos, minutos ou horas dedicados à reflexão ou a uma viagem ao tal universo interior. Descobriu que esses são interessantes, infinitos, puros, repletos de loucura ou de juízo. Embora a loucura e o juízo também sejam subjetivos. Se a vida fosse só objetiva seria muito a preto e branco, a cor da vida reside em boa parte na subjetividade.
E são alguns desses “entretantos” (de muitos outros tantos) que a artista expõe publicamente nesta exposição.
Alguns desses são estados de amor, retalhos de nostalgia, pequenas frases que serviram de partida para aterrar noutra galáxia, palavras que não chegou a dizer ou palavras ditas que quer eternizar, melodias escutadas, títulos de livros que reteve, etc.
Com uma paleta de cores que privilegia vermelhos, pretos e azuis; com jogos de texturas; às vezes com telas que se sobrepõem, criando imagens cruzadas ou simplesmente imagens que se complementam, e sempre à luz do figurativo ganharam forma os “entretantos” da pintora.
BIO | SARA VIEIRA - de seu nome completo Sara Ramos Vieira de Matos - nasceu em Lisboa, Portugal, a 18 de Maio de 1975.
Adora desenhar, pintar e escrever desde que se conhece.
Sempre se perdeu no planeta dos papéis, das telas, dos lápis e dos pincéis.
No ramo da Pintura, frequentou dois anos e meio (de 2008 a 2010) o Curso/Atelier de Desenho e Pintura da P.F.. Curso - onde foram ministradas técnicas de desenho a lápis, carvão, grafite, tinta da china, pastel seco, pastel de óleo e pintura em aguarela, acrílico, óleo e técnica mista.
Desde 2007 que começou a expor o seu trabalho ao público.
Já expôs em galerias, museus e centros culturais de todo o Portugal e no estrangeiro (Espanha, México, EUA, Brasil e Colômbia). Foi inclusive a única artista portuguesa convidada a participar numa exposição internacional de grande projecção, comemorativa do Bicentenário da Independência do México, em 2011.
Expôs individual e colectivamente.
Participou e foi seleccionada em alguns concursos, particularmente nos que se destinavam à promoção e descoberta de Novos Talentos/Jovens Artistas.
Esteve, igualmente, presente em feiras de Arte Contemporânea e Mostras de Arte ao Vivo, como a I Artshow na FIL (Lisboa) e a II Feira d’Arte Contemporânea da Amadora.
A sua obra faz parte de colecções privadas e também de acervos municipais.
Artista premiada em 1988, 2009 e 2010.
É membro da Académie Européene des Arts, do Círculo Artístico Artur Bual e da Associação de Apoio ao Artista Galeria Aberta. |